Assim como Aristóteles, penso que a felicidade é o fim último que a vida humana, desde os primórdios, busca. Indiscutível é que suas teorias deram base a muitas outras desenvolvidas no século XX. Entretanto, nascer alguns séculos mais tarde, atrevo-me dizer, lhe faria bem. Certamente, atingiria um nível inimaginável de perfeição no pensar. Faltou-lhe conhecer Darwin, admitamos. Deixando de lado o escorregão do filósofo que, a propósito, é um dos meus favoritos ao trazer a ideia do homem moderado, passo a concentrar em seus acertos. Tudo gira em torno desta incessante busca à felicidade. Para mim, definida como o sentimento mais inexplicável que ao homem pode ocorrer. Para ele, com um sentido diverso, motivo pelo qual sigo agora a meu modo de pensar. Felicidade é sentimento, ora. O anseio para do mesmo desfrutar é tão intenso que sequer considera-se sua natureza. Como tal, é volátil. É estado de espírito. Vem e volta. Não há momento na vi...
Brincávamos de fazer amor à sombra das árvores. Víamos as folhas serem levadas pelo vento, de um lado para o outro, e falávamos sobre aquela dança. Com a ponta dos dedos indicávamos o percurso que faziam. Lá se vão e eis que para aqui sempre se volvem. Dizíamos que aquele era um reflexo do nosso caminho. Deixamos o acaso nos levar, assim como as folhas deixam o vento - comparávamos. Seus olhos me fitavam intensamente, com certo brilho e ternura, enquanto minhas pupilas se dilatavam, em verdadeira resposta química à paixão. - Que é o amor senão isso que temos? - O amor é saber que isso não é algo que temos. - O que quer dizer com isso? - indagou-me. - Ora, o amor é algo que nunca se tem, impróprio pra esse verbo possessivo. O amor é a plena ciência de que isso é agora e, ainda assim, não tememos. - Mas você me ama? - Claro! Tal como nunca me amará de volta. - Por que pensa assim? - Porque sei o quão de mim você não conhece e, desde já, peço desculpas. - Qu...
À deriva Como se não houvesse nada abaixo de meus pés Ou como se tudo que há pudesse me engolir sem dor Sinto o consumo do espaço em minhas dimensões Meu corpo em um equilíbrio infantil O vento forte que me derrubaria sem esforço Meus olhos se fecham consentindo Em um salto permaneço intacta Vejo que posso flutuar A virada ponta-cabeça repentina Eu sou a ponte sobre as águas turbulentas Deito-me para a maré passar.
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